Outros vídeos mostraram manifestantes supostamente carregando os feridos para um local seguro e várias pessoas cobertas de sangue, deitadas nas ruas da cidade de Nukus, no noroeste do Uzbequistão. De acordo com postagens no Telegram, eles foram feridos pela polícia durante os distúrbios. Várias fotos também mostraram o que parecem ser cadáveres. Até agora, a RT não conseguiu verificar de forma independente a autenticidade dos vídeos e fotos.

As autoridades uzbeques até agora não comentaram as vítimas. O presidente do Uzbequistão, Shavkat Mirziyoyev, impôs um estado de emergência na região autônoma uzbeque de Karakalpakstan no sábado, devido aos distúrbios.


As medidas de emergência, que entram em vigor na noite de domingo, permanecerão em vigor até o início de agosto, disse o governo presidencial em comunicado no Telegram. As restrições incluirão um toque de recolher noturno entre 21h e 07h, horário local, informou a mídia uzbeque.

Mirziyoyev chegou a Nukus no sábado e sugeriu a remoção de algumas das emendas constitucionais mais controversas durante uma reunião com os legisladores regionais.

O Ministério do Interior do Uzbequistão informou que prendeu um “grupo criminoso” suspeito de planejar os protestos e tentar tomar o poder ilegalmente no Karakalpakstan. As autoridades também culparam as manifestações por “tentativas maliciosas de interferência estrangeira” provocadas por uma campanha de desinformação “direcionada”.

A onda de indignação pública decorre de projetos de emendas constitucionais que foram tornados públicos no final de junho. Esperava-se que as mudanças fossem revisadas até 5 de julho e posteriormente submetidas a um referendo nacional.

O projeto de mudanças envolve 200 emendas, incluindo a proibição da pena de morte. Os protestos foram desencadeados por duas passagens específicas relacionadas ao Karakalpakstan – uma região que cobre cerca de 40% do território do Uzbequistão que tradicionalmente gozava de ampla autonomia. O projeto de emendas sugeria que a região não seria mais chamada de “soberana” e seria impedida de obter independência do Uzbequistão por meio de um referendo.

Fonte: Brasil247